Ecos da Busca

Não despertes o meu silêncio

É momento de acalentar a solidão

Deixa-me caminhar sobre os seixos da busca

Permite que minha palavra deserte

Da nascente rumorosa e inquieta

Onde transbordam minhas mãos

Não me imagines em abandono

Nem que me dissipo pelas rasuras

Do extremo vazio é que me vivifico

Peregrino-me, atravessando-me o sentir

É entre a pele e a alma que me perscruto

Desamarrotando o esboço de uma sobrevivente esperança

Não pressuponhas que não estás em mim

São tuas todas as noites que me esperam

Partir de ti seria fugir-me

Mas há em meu peito ilhas de solidão de mim mesma

Onde me desencontro da multidão que me habita

Não penses que me deterão as algemas da descrença

É necessário que alguns passos

mirem-se à beira do precipício

Para que eu me descubra na penumbra do que não vi

Talvez eu precise rever o infinito

Onde desacreditei de alguns vôos

E fundir-me somente comigo

No espelho do horizonte desconhecido

Seja agora meu refúgio e urgente destino

Fernanda Guimarães

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Fernanda Guimarães
Enviado por Fernanda Guimarães em 05/02/2005
Reeditado em 25/08/2008
Código do texto: T3542