As Minhas mãos sujas de sangue

As minhas mãos sujas de sangue

As minhas mãos estão sujas de sangue

Sangue dos que já foram

Sangue dos que virão...

Sangue dos que eram.

Sujo em mim meu próprio sangue

Cheio de palavras...

Não vejo nada, nem a rua

Rua que um dia fui eu.

Não vejo nada, só resta o pó

Pó de uma única cera.

Resta ainda a minha cina

Entreaberta de um mesmo fim...

Resta ainda a minha vida

Vida deserta, deserta ainda de mim.

O que será que fui desde outrora

Pousando e clamando sob meus

Pensamentos,

Jantando na mesma cina que eu.

O que será que sou agora

Será que outro?

Será que teu?

Eduardo dos Anjos
Enviado por Eduardo dos Anjos em 23/01/2007
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