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POEIRA DO TEMPO


POEIRA DO TEMPO


   Guardados antigos trazem lembranças. Outros, perdidos na bruma do tempo, não têm resposta na memória. Ser poeta vai além das exigências técnicas. Exige sensibilidade, inspiração... e muito mais!. Confesso que tentei e perpetrei versinhos e cometi valsinhas. Coisas de adolescente, ridículas, mas que fazem parte de meu passado e que guardo e nem sei o por quê –ainda que sentindo uma vergonha danada. Os que seguem datam dos meus quatorze/quinze anos, quando participava da Academia Literária Castro Alves, do Instituto Francano de Ensino (“Ateneu”).
 
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VEM!...

Ver
pratear a lua a noite escura;
brilhar a luz nos olhos de quem ama;
a flor se abrir e desatar perfumes.
Ouvir
a canto da rola pedindo o companheiro.
Sentir
a brisa bulindo nos cabelos.
Caminhar
no silêncio do campo.
Contar
estrelas, feito menino.
Deitar
na grama  e soltar a alma.
Sonhar
a busca da felicidade.
Vem!...

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FLOR DO CAMPO

Tanto era bela no chão seco a flor,
A hasta longa balançando ao vento!
O sol quente desatava  ao tempo
promessas doces, no mais  leve odor.

O pesado passo do matuto bruto
Fincou na terra a beleza em cor.
A haste longa sufocada em luto,
Tanto era bela no chão triste a flor !...
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SOMBRAS QUE PASSAM

Calado, vejo as sombras  que passam.
Sombras errantes, sem rumo, sem passo,
vagueiam alheias, tontas, sombrias.
perdidas na noite, caídas no espaço.

Olhos ardentes, chorando cansaço,
são filhas da dor, pedindo afago,
amor:  lenitivo dos sonhos quebrados,
abrigo no seio do Deus creditado.

Tão tristes, sofridas, buscando a luz,
nas crenças criadas, dos templos sombrios,
dos homens de centro, direita, esquerda.
Esperanças perdidas, desespero sem fim.

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RODEIRA SEM FIM

Girândola

Girando em roda,
Desejando a  volta
Do verão que acabou
E o verde secou.

Buscando o passado
De amores finados
Nas rosas que nascem
Em  outros jardins.

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POETAS

Vós sois da poesia amada
fiéis soldados, por ela amados.
Em vosso cantar se encerra
toda a beleza que o sonho alcança.

Quereis-me poeta também,
se mau prosador sou
e o meu verso nem verso é ?
Cantai...  eu vos escuto.

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SOLIDÃO

Em triste e solitário pranto,
tangendo primas e bordão,
o amor de outrora tem o canto
do seresteiro ao violão.

O dedilhado afetuoso, leve,
é dor que chora em nota breve.
Sonho querido e nada feito,
sonhar teimoso ainda no peito.

Triste e só, na dor batido,
vibra o som na noite escura:
gemer macio, incessante... lento.

Na solidão o encontro dorido:
do amor –a ilusão perdida-
da madeira –companheira- amiga.

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ESTRADÃO

No risco da estrada
Da seca curtida,
Deixando poeira,
Varando o sertão.

Rolando cascalho,
Na chuva caída,
Em mato espinhento,
Abrindo estradão.

Tangendo manada,
Soprando berrante,
Chamando na frente,
Empurrando  boiada.

É estrada de pó.
É rio de vida
Que corre no chão.
Abrindo estradão,

Caminha o peão!




José Eurípedes de Oliveira Ramos
Enviado por José Eurípedes de Oliveira Ramos em 10/02/2007
Código do texto: T376013

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Sobre o autor
José Eurípedes de Oliveira Ramos
Franca - São Paulo - Brasil
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