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SINAL FECHADO

SINAL FECHADO

O CREPÚSCULO DEBRUÇA-SE SOBRE OS VELHOS
LANGOROSOS PENDURADOS EM SEUS CIGARROS
MAS MEU CORAÇÃO NADA SE COMOVE;
ABRAÇA AS BARBATANAS DO DIA
TOLHENDO AS CRIANÇAS NO AQUÁRIO
DAS MORADIAS.

MEU CORAÇÃO, CEGO, SEQUER BALBUCIA.
CONSTRÓI NOVELOS APRESSADOS
DE DURA LÃ AOS PÉS DAS ÁRVORES
ESTENDENDO SUAS UNHAS DOURADAS
ARRANHANDO OS CAMELÔS EM SUAS BARRACAS.
A NOITE VEM ALIMENTAR OS CÃES
QUE DESAPARECEM NA ESCURIDÃO;
INCENDEIA A PRAÇA
ONDE AS LUZES ACENDEM SEM GRAÇA
ILUMINANDO A MIM, SENTADO NO BANCO
OLHANDO OS VELHOS ENCATARRADOS
QUE NÃO PRESSENTEM A NOITE POR DENTRO
DE SEUS OLHOS APOSENTADOS

O ESGUICHO DA FONTE, FINALMENTE
ESPANTA A MIM E AOS VELHOS DEPENDURADOS
PERCEBO-A ESPICHANDO-SE MOLEMENTE
DEBAIXO DO BANCO E AO MEU LADO

É COM O CORAÇÃO SECO, AS UNHAS ROÍDAS
QUE LHE OFEREÇO UM CIGARRO
QUE ELA LENTAMENTE RETIRA DO MAÇO
PENDURA-O NO BEIÇO DO VELHO
QUE CAMINHA PARA DENTRO DA MINHA CASA
jgmoreira
Enviado por jgmoreira em 10/02/2007
Código do texto: T376880


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Sobre o autor
jgmoreira
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 61 anos
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jgmoreira