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DEVER

DEVER

Depois foi o tempo total
Horas de calma eterna
Lento tempo, lerda sinfonia
Si bemol

que vem de algum lugar:
da chuva
dalgum piano
Mãos de cristal no vidro.

Os homens foram em busca
dos motivos da luta
Na ferrenha trégua
recordavam a guerra

Porque eram apenas soldados
manobrados por voz roufenha
transformando-os em condenados.

Fizeram guerra
eternas horas
Vibravam na fascinante espera
dos ataques premeditados

Encontravam-se em transe
aguardando o embate
Por mais que parecesse estranho
não criam que se matavam

porque eram apenas soldados
armados da força bruta
Cegos, ensudercidos
de uma morte em dúvida

Lá fora, morriam
impunes
em horas que não cediam
seus horrores

Até que enfim
foi o tempo total
ausência obscura do bem
obscena, do mal

É chegado o momento pleno
Corpo nu, túrgido, seco
espaço aberto, peito morto
mas sereno: dever cumprido
jgmoreira
Enviado por jgmoreira em 10/02/2007
Código do texto: T377069


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Sobre o autor
jgmoreira
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 61 anos
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122 áudios (2981 audições)
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