Eternidade

E a vida foi sendo tomada de assalto

As revelações do absurdo

Ganharam um espaço descabido

Respirávamos o impróprio

Delirávamos os cheiros

Buscávamos o olhar

Os corpos que ora se apresentavam

Eram burilados com despudor

O sexo era apenas carnal

Mas o instinto te procurava

Nas bocas beijadas

Nos abraços febris

Tenho espasmos de meninice

Que só a ti revelarei

Tenho caricias mais doces

Que só a ti darei

Pq me vejo consumida pelo desejo

Despida do predar constante

E as muitas faces do meu ser

Te buscam

Em vão

Nos corpos que toco

Nas peles arrepiadas

Nas súplicas e juras de amor

Que não quero mais ouvir

Sinto que serei sua

E não existirá volta

Tenho medo

E vontade

Arrefece o ar que respiro

Sei que será meu dono

Que mudaremos o destino

E na estrada ficarão os amantes

As mulheres de sua vida

Os homens suplicantes

E nada poderemos fazer

Além de sorver do destino

Um correr ladino

Para o lugar onde

Os corpos se deitam

Onde o amor tem a força

E o ardor

Da eternidade...

Letícia Marques
Enviado por Letícia Marques em 03/03/2007
Código do texto: T400187