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POEMA PARA A MULHER POLAR

num dia de sol, fui apresentado
à mulher imune ao amor:
era trágica,
era magérrima,
e tinha uma’alma sombria.

passado, tinha todos
e tantos que nem mais ia à farmácia,
só para não pesar os pecados na balança

a conheci num dois de fevereiro
— dia de Yemanjá —
de rosto com maquiagem
a cobrir-lhe a cor da pele,
com os cabelos penteados
impecáveis, apesar do vento,
de gélidos gestos estudados
sem nenhum milésimo de sentimento

com sua voz metálica,
falou-me pausada do primeiro,
do segundo, do terceiro casamento,
como se experimentasse vários pratos, alguns exóticos,
dos quais, alguns com nojo, desde a mais absurda infância.

Com a maior cara-de-pau,
apesar de desconhecer o meu eu lírico-romantico,
pediu-me que a fizesse passear por sobre as águas
profundas e obscuras!...

Olhei-a como se já estivesse partido,
abandonei a mochila na areia cheia de poesia,
e segui nu qual um menininho Jesus recém-nascido
pedindo perdão por aqueles que não sabem
ou que não fazem do amor um sentido.

Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 13/08/2005
Código do texto: T42249
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho