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SERTANEJO

Sertanejo, Sertanejo!
da terra seca fêz sua habitação,
a procura do alimento
prá mulher e rebentos,
respirando a poeira do alto sertão.
Olha a plantação,
sem arado, sem regado!

É a raça, é a luta,
êta vida bruta!
nesse sol que queima o tempo,
seca o chão e mata a fruta.

Sertanejo, Sertanejo!
mais um dia sem farinha, nem feijão,
outubro se passou,
e a chuva de Cajú não molhou.

É a raça, é a luta
êta vida bruta!
no sol que queima o tempo,
seca o chão e mata a fruta.

Sertanejo, Sertanejo!
sem arado, sem saber,
o caminho é penoso
na mão do poderoso,

olha a plantação que se queima,
e não dá não!
mais um dia sem farinha, nem feijão.

......................................................... (fala sertanejo!)

____ Latifundiário aonde tá ocê?
Dezembro já passou,
cadê a água de Santa Luzia?
Que me alembro não pingou ...
O peito aperta, a barriga berra

é a fome, é a fome!
é a fome "seu home"!!

___ Latifundiário, aonde tá ocê?
é março já se indo
e as agueira de São José
no meu plantio não fêiz fé!

Êta vida bruta do sertão?
o sor queimou meu tempo
secou o chão, matou a fruta.

___ Cadê minha plantação?
cadê a minha luta?
cadê o Doutô da promessa
que espero e vem não?

O peito aperta
a barriga berra
é a fome, é a fome!
é a fome "seu home"!!



Andrade Jorge
direitos autorais registrados
Fundação Biblioteca Nacional
Rio de Janeiro
http://andrade jorge.zip.net


 

ANDRADE JORGE
Enviado por ANDRADE JORGE em 15/08/2005
Reeditado em 27/06/2019
Código do texto: T42832
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
ANDRADE JORGE
Jundiaí - São Paulo - Brasil
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