CAUSO

CAUSO

No meio da roça

De sangue uma poça

Do amante João

Feriu de morte seu coração

Pobre e doce Maria

Mulher do velho Dito

Enrabichou-se um dia

Pelo rapaz bonito

Na falta do velho

Lá vinha João

Esbelto fedelho

Bom garanhão

Mas Dito

Pelo não dito

Soube do caso

E agiu sem atraso

Pegou do facão

Matou o João

Matou-se também

Corno só no além

Maria ficou solitária

Mas logo surgiu solidário

O Mario boticário

Como remédio diário

E Maria contente

Sempre ardente e atraente

Pra cima e pra baixo

E Mario cada vez mais cabisbaixo

E aí chegou Zé

Patrão de Mario

E quis ser proprietário

Daquela muié

E Mario trabalhando

E Zé se chegando

Até que um dia

Namorou a Maria

E aí todo dia

Era dia de Maria

E o Mario coitado

De chifre afiado

Até que um dia

Mario pegou Maria

E o rito sumário

Levou Zé e Mário

Ficou a Maria

Viúva fogosa

E passado uns dias

Já toda prosa

De braço dado

Com Raimundo ao lado

Olhando de novo

Mais alguém no povo

Pobre Raimundo

Logo seria segundo

E Maria seria

Sempre Maria

Maria de todos

Maria do engodo

Amante da vida

Maria da lida

Arnaldo Ferreira
Enviado por Arnaldo Ferreira em 09/02/2014
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