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Cerebrastémico

 
 
Aquele que, inócuo, ousar,
Torneá-la por prazer,
Maleá-la nos seus dedos
- Até a alma lhe tolher! -
Levando-a aos degredos
Frios e abismais do vagar;
 
Aquele que a prescreveu,
Ou reduziu-a ao nada,
Criando um mofino orto
- Frases bafias, descarnadas... -
Num canto acendrado e morto,
Um hino de escravo ateu;
 
Aquele que desafiou
O poder da Gravidade,
E em grilhões a envolveu,
Sem qualquer salubridade,
Levando-a ao himeneu
C'as vestes que lhe esgarrou;
 
Aquele que foi demente
De lhe roubar a leveza
Do canto Real dos Versos,
Foi despojando a beleza,
Esquartejando reversos,
coalhos de sangue morrente...
 
E eis-te, poeta, na masmorra
Das tumbas negras, mundanas,
Sem poesia, sem fanal...
E o bendito da "profana"
- Teu ergástulo fatal -
Vinga na tua madorra!...
 
Cristina Pires
Enviado por Cristina Pires em 19/02/2005
Código do texto: T4704


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Sobre a autora
Cristina Pires
França, 55 anos
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Cristina Pires