NÓS POESIA * Onde a Poesia? / Bendito verbo! (Lizete Abrahão/José-Augusto de Carvalho)

Onde a poesia?

Lizete Abrahão

Poesia é a palavra em estado de graça,

Sublimação do verbo, canto universal...

Dos deuses, é encanto em forma visceral,

Flui das entranhas, sobe aos céus, a alma enlaça.

Errante, vago entre os caminhos da vontade,

Procuro as palavras, a ver onde estão

Aquelas que me digam mais que da saudade

Que mora no reverso da minha ilusão.

As vozes saem de dentro de mim, aflitas,

Querendo ser poema feito ventania...

As entranhas, pulsando vidas já escritas,

Dos mitos não disseram e nem de magia

Ai! O meu verso não quis só meu sentimento...

Vem, poesia, transcender meu pensamento!

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Bendito verbo!

José-Augusto de Carvalho

No céu, lucilam círios de ternura,

sagrando de candura e claridade

os sonhos deste chão ganhando altura

nas asas da sonhada eternidade...

No céu flamejam raios de verdade,

os raios que, rasgando a noite escura,

inundam de sabor e claridade

os antros de vergonha e de amargura...

No céu habita a nossa condição

de ser e de não-ser e de porfia

até à mais sublime exaltação...

Do céu desceu, divina, a melodia

que quer em nós a cósmica emoção:

o mais bendito verbo - a Poesia!

Lisboa, 8.12.2004

José Augusto de Carvalho
Enviado por José Augusto de Carvalho em 02/09/2005
Reeditado em 29/07/2018
Código do texto: T47116
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