Gente que morre

Eu vejo gente morta...

nos meus sonhos

mais desejantes

Como o mais sublime

como o mais legítimo

do meu querer

Com minhas próprias mãos

Com meus próprios dons

Meu investimento

O resultado do meu tempo

Algo assim tão lindo

de se fazer

Eu vejo gente quase-morta

agonizando

sem saber porque

Sem saber que merece

todo o sofrimento

só por nascer

Porque morrer é assim aos poucos

Tão natural...

Pra que relutar?

Morrer pra sempre as esperanças

porque pobre é assim

porque tolo é assim

porque bom é assim

Porque quem vive é quem pisa no saco do próximo

Quem vibra é o carrasco, que sem ódio

Só por profissão

com o seu querer

Com seus próprios dons

Com suas próprias mãos

Instiga e termina

todo o sofrer

Fogo Selvagem
Enviado por Fogo Selvagem em 06/05/2014
Código do texto: T4796899
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2014. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.