Ontem

Ontem invadiram meus canteiros,

Espezinharam minhas flores,

Partiram todos os vasos

Do meu jardim

Rasgaram minhas vestes

Ultrajaram meu nome,

Alagaram de sangue

Os meus olhos.

Apedrejaram meu rosto

Ainda de menina

Onde resplandeciam quimeras

Numa rua com nome de poeta

Defronte a tanta gente…

E gritam urros de vitória,

Zombaram,

Rebolando álcool, chapinhando

No sangue da imbecilidade,

Ocos estes crânios de gente.

Hoje bem tentam devastar

No absurdo da existência

As sementes que guardei

Daquele anoitecer

Parido de Primavera.

Mas eles não sonham,

Nunca o fizeram

Eles não podem pensar,

Foi-lhes vedada a lucidez…

Agora tenho tulipas, cravos,

Roseirais, girassóis

E até ervas do campo a crescer

Num coração que continua a bombear

O mesmo sangue outrora profanado

Numa rua com nome de poeta.

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© Célia Moura – (a publicar)

Célia Moura
Enviado por Célia Moura em 25/04/2015
Código do texto: T5220352
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