A Procura


Por tudo que dEle ouvi, por tudo que dEle sabia,
Procurei-O no mais profundo do profundo oceano,
Durante anos de busca, não O encontrando, todavia,
Lastimando, a cada dia, por não realizar meu plano.
Mergulhei por entre golfinhos, baleias e cachalotes,
Atuns, polvos, moréias e até mesmo fugidias sereias,
Minha intensa busca obsessiva se tornou, então, mote,
Para os que dela escarneciam nos bares, à lua cheia.

Alcei-me então, em direção aos céus, ao espaço,
Onde talvez O encontrasse, meio à tamanha imensidão,
Escondido, talvez, em outro planeta, novo fracasso,
Ali também não se encontrava, para minha desolação.
Peguei carona em rabos de cometas, vasculhei sóis
Distantes, constelações, sentindo que me distanciava,
Chegando até mesmo a sentir-me em maus lençóis,
A cada instante, a cada vôo atrás do que tanto buscava.

Procurei então que Suas palavras me dessem o indício
De onde Se encontrava, julgando ter achado no Amor
O sentido para este tudo que buscava, desde o início,
Buscando em meio às amadas a resposta ao clamor.
Por vezes até mesmo julguei que O tivesse encontrado,
Perdido talvez nesta infinda profusão que ora contemplo,
Em razão do quanto amei e, sobretudo, quanto fui amado
Por cada, em cujo corpo O buscava, como em um templo.
  
Não O encontrei. Procurei sob aspectos mais simplificados,
Como o bem disse Francisco de Assis, no voo de pássaros,
Em seus cantos, por todos os cantos, a ler significados
Sob pedras e árvores, em regatos ora turvos, ora claros.
Ali também não O achei... Desiludido com o fracasso,
Com o total insucesso de minha intensa busca, enfim,
Encontrei-O onde muito menos esperava, erro crasso,
Inserido em meu peito, em meu âmago, dentro de mim.
LHMignone
Enviado por LHMignone em 28/10/2015
Reeditado em 28/10/2015
Código do texto: T5429436
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