Figura

Moro no mistério.

Não sei de onde vim

Nem para onde vou.

Sei apenas o que me dizem

Os que também não sabem.

Criamos filhos como se fosse para serem príncipes

E o que aparece são princípios de homens inacabados...

Mesmo assim, acreditamos que são príncipes,

Que, por sua vez, também são inacabados...

Tento a alegria com as bugigangas dos camelôs,

Com as bijuterias da artesã bonita,

Com um penteado novo, roupa nova,

Amizade nova,

Coisas ainda possíveis.

Num impulso,

Mudo-me para daqui a 200 anos.

Um tão grande lapso de tempo cortará laços...

Quanto a mim, cortarei espaços.

Beijo a chuva e tomo uma gosta de água.

É dura pena a mole criatura.

Figura.

Euna Britto de Oliveira
Enviado por Euna Britto de Oliveira em 13/07/2007
Código do texto: T563508