Abduzido

Essa noite, noite de sensações estranhas,
fui abduzido por uma alienígena!!!
Estava eu quieto em meu recanto,
dormindo o sono dos justos, finalmente,
quando, de repente, ela surgiu a minha frente...
Materializou-se, assim, como que do nada,
envolta por um intenso halo luminoso,
quedando-me estático, como se um indígena
por ocasião da chegada de Cabral, impotente,
transmitindo-me talvez por vias telepáticas,
aquietando-me ao saber que não me faria mal,
transmitindo-me a paz há tanto buscada.

Ao ver-me prostrado no leito, inteiramente despido
como sempre me deito, nu, a sua inteira mercê,
após cobrir de beijos todo meu corpo, sei lá por quê,
por vezes quedando-se por mais tempo a deliciar-se
com o tanto e quanto que lhe era, enfim, provido.
Talvez carente por sua longa viagem e pelo uso,
ao sugar o néctar vital e saciada, sentindo-me refeito,
tomou-me pelas mãos e em um abraço cósmico,
senti meu corpo levitando, pensamento confuso,
ao ouvir sua voz soar suave a meus ouvidos,
inspirando-me calma e confiei enfim minha alma
e aquiesci ser levado para além de meu leito.

E voamos juntos para os confins do universo,
atravessando nebulosas, plêiades e constelações,
vendo ficar a Terra a cada momento mais distante,
envolta em seu azul, entre o brilho de mil sóis...
Assisti o fim de cometas, em suas efemeridades,
rasgando os céus em direção a buracos negros
que os engoliam vorazes, isentos de emoções,
o exato instante do Big Bang, início de tudo,
com sua antítese a se findar no troar do Verso.
Acordei suado, novamente só em meu leito,
tateante à procura dessa fugaz e vã amante
que voltou, deixando sua marca em meus lençóis...
LHMignone
Enviado por LHMignone em 18/12/2016
Reeditado em 13/01/2020
Código do texto: T5856888
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