Anímica

Devasso tua madrugada

feito vírgula arrogante,

alma feminina intrépida

de carmim encarnada.

Devasso tua fronte estante,

sem pejo e sem peia,

desarmada de razão

e coberta de luxúria.

Devasso tuas noites

como quem planta sementes,

e em tua boca fisgo palavras

que seguras com os dentes.

À lua, derramarei meu louvor:

minha poesia se vestirá de vento,

levantando as saias do tempo.

Não quero compaixão,

não quero flor.

Só quero ser tua por amor.