PARA VIVER A GRANDE DOR

Aquela coisa inventada , embalada em papéis lustrosos,

Dizendo e redizendo o valor inteiro da vida,

Às vezes cortada em pedaços,

sangra incessante na grama verde da noite e da manhã!

Na tarde, isenta, morna ou em intenso sol,

Ela se cala e dorme com os pés descobertos,

mas com os ombros cingidos de seda azul.

Depois tudo acorda,

ela puxa água do poço,

Asperge as plantas caseiras

e tenta sombrar o quintal.

É quando tudo acontece!

O amarelo da tarde acalma o olhar,

Mas, cumprido o todo do dever,

As letras embaralham o sentido.

E a oração sussurra nuvens

E gestos rasgados.

Logrado ou malogrado, o tempo se faz

Retorcido no relativo do cheiro e cor cercados de dia.

Por isso ela canta,

por estar a vida incompleta,

Por saber que a terra acolhe

sombras ácidas.

As luvas isolam o mal e a culpa

Que se escondem argutos

no fundo do poço

cantante.

Ela habita o instante!

Helena Helena
Enviado por Helena Helena em 28/05/2017
Reeditado em 06/06/2017
Código do texto: T6012082
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