Um não lugar

Como um Hermes brasileiro

sou dividido,

neste mesmo país,

por inteiro.

Ao plano baixo,

subo sem ser percebido.

Enquanto no alto,

não sou mais que isso.

Seria bom mesmo

se não existisse nada disso.

Por onde vou,

dois lugares de modo distinto.

Dizem que vale o coração,

mas o meu externo,

não sei ao certo

quanto vale então.

Pois a única certeza

é sofrer desse jeito

um estranho preconceito

entre os próprios irmãos.

Surge, assim, a pergunta

que aprendi a rejeitar:

É possível ser diferente

num país de cartas marcadas?

Para mim, só resta

a paciência

por não corresponder

à aparência

sempre procurada.

Rômulo Souza
Enviado por Rômulo Souza em 27/08/2017
Código do texto: T6096472
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