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ESPÍRITO ATENTO

Estávamos na beira do abismo
O vento soprava
Tínhamos tempo
Um pouco
Mas nos bastava
Fitávamos a planície
A extensão das horas
O calar da tarde
Um sol que desaparecia
Mas havia algo
Sabíamos da espera
Não tardaríamos a saber
Então o vento parou
O cheiro do mato assaltava
O inseto avisava aos ouvidos
A noite prenunciava
Sentamos debaixo da lua
E o frio cortou
Luminárias no céu acenavam
Acendemos um sorriso
Aquecemos as mãos no atrito
Os pés descalços
A terra pulsava o assento
As costas em ângulo
Os olhos abertos
O espírito atento
A linha do horizonte apagada
Mas sabíamos do coração
Ele nos contou um segredo
Não tardamos a saber
Era sobre o vento
Arrebatava nosso peito
Incendiava os poros
Faiscava o semblante
Mexia nos arbustos
E soubemos do amor
Era ele quem nos havia chamado
Preencheu todo o platô
E já não era mais abismo
Era tudo o mais
E levantamos
Voltamos pela mesma trilha
Mas não guardamos passos
Não deixamos pegadas
Apenas descemos ou subimos
Não importa
Chegamos até aqui
Trouxemos o amor
Que fundou morada
O sol deu um salto
E um novo dia revelou
A noite que esperamos
Pensando no abismo
Mirando a planície
Sem saber ainda
Que o amor não viria de parte alguma
Pois era plenamente vida.
JOSÉ ROLDÃO
Enviado por JOSÉ ROLDÃO em 24/08/2007
Código do texto: T621179

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Sobre o autor
JOSÉ ROLDÃO
Nova Iguaçu - Rio de Janeiro - Brasil, 43 anos
10 textos (142 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/17 04:05)
JOSÉ ROLDÃO