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De lado


Sinto-me em profundo estado de solidão
E, pela primeira vez, não me vejo confortável
Acho que mudei sem imitar quem eu era

O silêncio toma formas acústicas
Nas asas que batem imóveis e irritadiças
Abaixo do tempo que estagnou o mundo das pessoas

E tudo desapareceu em segredo
Nem uma mão falando em meu ouvido
Nem uma língua coroando os meus desejos
A companhia tornou-se uma vasta penúria de nada

E eu que pensava ser difícil sofrer calado
Descubro que o pior se dá quando o peito se agacha de dor
Precisando externar um soluço em forma de desabafo
Mas permanece corroído pelo desamparo da impossibilidade
Da frustração, da angústia e da calamidade do abandono
Bernardo Almeida
Enviado por Bernardo Almeida em 27/08/2007
Código do texto: T625470

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Sobre o autor
Bernardo Almeida
Salvador - Bahia - Brasil
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