Lilith, a primeira deusa
 
O Gênesis fala-nos mesmo que de forma dissimulada
Dessa deusa, primeira mulher criada simultânea a Adão,
Que bem mais que Eva despertou-lhe imensa paixão
E por ele talvez intensamente muito mais amada...

- Por que deves deitar-te sobre mim e abrir-me como um jasmim,
Se sou tua igual feita do mesmo pó, por que ser dominada? -
Perguntou Lilith. – Sabes que me realizo com a posição de cavalgada,
Quando brido teus pelos e posso controlar nossos gozos sob mim...

Por pura intransigência, Adão manteve-se irredutível
E não cedeu aos apelos das mulher tão amada e ela partiu,
Não sem antes mandá-lo de volta pra terra que o pariu
E cobrindo-o com maldição que se comprovaria terrível...

- Visitarei a cada noite teus filhos e os filhos de teus filhos,
Quando se tornarem púberes ou quando estiverem solitários,
Insinuarei no cerne das maçãs a forma de meus ovários
Para que lembrem de mim e que jamais andem nos trilhos.

- A cada noite com eles gozarei o gozo em poluções solitárias
E a poucos ensinarei o prazer supremo de serem dominados,
Deles extraindo este saber que contigo hei desfrutado
Ao nos amarmos por tempos em posições tão várias.

E Lilith partiu, deixando Adão nesse Éden agora de trevas,
Sem qualquer sentido em um mundo desprovido de cores,
Até que por fim Deus atendeu seus apelos e clamores
E mesmo tirando-lhe para sempre a paz, deu-lhe Eva.

A conclusão dessa saga sutilmente nos ensina,
Ao hoje vermos Lilith irreverente pelas ruas e praças,
A mostrar que a mulher também é gente e que com graça
Também tem o direito de por tantas vezes ficar por cima...
LHMignone
Enviado por LHMignone em 03/03/2018
Reeditado em 11/04/2018
Código do texto: T6270045
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