VESTES EM CABIDES SEM TEMPO...

Meus poemas vêm a mim desnudos, sempre em pelos,
E se desvencilham de mim também desnudos, em pelos!
Saem para folhas impressas, com a pressa de partir, - Tem mil urgências!
E assim, parecem não serem poemas, apenas palavras...
Sei apenas que a roupa com que vestem outros poetas os seus poemas,
Jazem em cabides arrumados dentro de minhas entranhas...
Num quarto do quarto trancado em minha cabeça!
Os meus? Saem pelo mundo como vieram ao mundo:
Alegres, tristes... Ensandecidos...Em pelos!
Talvez se me dessem tempo, vestiria os meus poemas
Com a roupagem dos gênios...
Mas, a verdade é que tanto os meus poemas quanto eu,
Não o temos!
-Ele se esvai, como os meus poemas, entre os meus dedos, enquanto escrevo!
Fogem de meus dedos cerrados, o tempo e os poemas,
No mesmo instante em que penso que os retenho!

Edvaldo Rosa
www.sacpaixao.net
11/02/2018