Catedral da morte:
 
Devassos,
Meu tempo e meu breve espaço
Se perdem
No vagão de trem desgovernado,
Desta viagem desconhecida
Entre lamúrias esconsas
E muitas consternações.
 
Dou de beber
Aos demônios que dormem sob meu peito.
Sangue e vinho,
Vermelhos como meu coração despedaçado
Atordoado
Por aneurismas e ledas paixões.
 
Despeço-me dos dias infinitos
Flertando com a poesia e a morte,
Despeço-me da areia morna e das ondas
Que embalam as minhas noites
E trazem-me ensejos e tempestades
Sob tenros verões.
 
Esqueço-me da tua face,
Do sabor dos teus beijos desvairados
E da vibrante risada
Que ecoava nas madrugadas insones,
Ludibriando a dor
Com desastrosas e etílicas canções.
 
Morrerei tarde
Para quem, antecipadamente, nasceu
E carregarei na alma calejada dos anos
Todas as promessas em meus sonhos.
Secretamente, te amarei,
E silenciosamente,
Partirei
Co'a etérea e perfumada lembrança
De que teu amor me fora a mais doce morte
E a melhor das vidas
Dentre todas as minhas condenações.
 
 



Léa Ferro. Dez/2018
Instagram: @leaferro
Léa Ferro
Enviado por Léa Ferro em 25/12/2018
Reeditado em 09/01/2019
Código do texto: T6535127
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