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TODA SOMBRA NASCE AO PÉ DO TRONCO

cínico,
o então amigo,
falou-lhe com cara de nem mais amigo:
— Sombra maldita!..

gastou paixão
e um quase amor,
roubou-lhe um relógio
e algumas horas, à exaustão,
perdeu pedras, pontos, paradas,
o ônibus a caminho rumo à  terra dos ajuntados

repentinamente,
por falta de sol ou de sombra,
[sós e juntos]
seguirão casados em suas vidas de solteiro...

gastou olhares
e uma quase lágrima,
roubou-lhe a saliva da fala,
a faca cravada num pé de bananeira,
perdeu o respeito, a Rita, o recado, a receita,
o bolo de noiva enfeitado de patéticos bonequinhos

uma hora, fatalmente, há de chegar,
[pouco importa a hora]
onde os cínicos
darão as costas para o que resta das costas:
casados
em vidas de solteiro

indispensável será uma das luas
para levar um dos cínicos no sentido anti-horário
do talvez amor ao absurdo:
— Sombra maldita!...
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 23/09/2007
Código do texto: T664871
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho