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Suspiro



Este instante é todo o tempo que me resta
E tua mão é tudo que me prende ao mundo
Pois eis que o tempo finalmente se esgota
E este suspiro pode ser também o último

O teu olhar é todo o sol que me interessa
E tua lágrima é o orvalho que me esfria
A tua boca que me fala desconexa
E que me força a respirar tocando a minha

Pois no meu peito há uma bomba que já pára
Já tão cansada das desilusões da vida
Mas a tua aura se reflete em mim tão clara
Que minha pele, no escuro, quase brilha

Os teus cabelos ainda pingam no meu peito
E um frio intenso me congela até os ossos
Quando o remorso se transforma em vasto leito
A carregar-me para a dimensão dos mortos

Vejo que gritas e me socas quando choras
Então, percebo que esse amor desconhecia
Que só colhia tuas flores quase mortas
Mas já não via o jardim que em ti floria

E eis que me somo às tuas preces para o alto
E é do teu hálito que trago o meu suspiro
Pois só agora, assim, envolto nos teus braços
Percebo seres mais que o ar que, enfim, respiro.

D.S.

Djalma Silveira
Enviado por Djalma Silveira em 26/09/2007
Código do texto: T669373

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Sobre o autor
Djalma Silveira
São Paulo - São Paulo - Brasil, 49 anos
267 textos (10570 leituras)
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