Atenção

esse é o último rabisco do meu primeiro livro,

já que tudo que conquisto vale nada enquanto vivo,

reconhecimento após a morte é algo tão hilário ...

perguntem lá para o Van Gogh quanto vale cada quadro,

corte seus dedos antes de me apontar,

cortaria a orelha para não ter de ouvi-los ...

vivendo devaneios sem medo de me desapontar,

contaria cada lágrima e os erros q me fazem a ovelha negra de meus entes queridos,

como queria escrever coisas lindas

e viver apenas de sorrisos,

mas entre as idas e vindas

a vida trouxe-me o mais lindo,

e hoje a surpresa da dor é sempre bem vinda ...

onde o que um dia já teve cor está tomado pelas cinzas,

esse drogado ou aquele doutor, qual a diferença, me explica?

o suor não demonstra o quão farto estou, minha doença é explícita,

carregando sua pedra e seu cobertor, invisível entre todos ...

a morte se herda e "cada vida tem valor": visível para poucos,

acorda agora enquanto há tempo, sair do relento e sentir o calor,

a corda é bamba a linha é tênue, esteja atento ao parar pra compor.

R Lelis
Enviado por R Lelis em 22/07/2019
Reeditado em 29/07/2019
Código do texto: T6701902
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