Poetando a quatro mãos


Quando em seu momento de intimidade eu a flagro
A discorrer por sob os lençóis com ambas as mãos
Tocando suavemente com longilíneos dedos
Deliciando-se com o alternar do ébano e do marfim,
A extrair dolente de seu imo a maviosa sinfonia...
Com olhar convidativo me incita e então deflagro
Essa sina que me acompanha em profusão
Com beijos incontidos desvendo seus segredos
Despertado o instinto animal que existe em mim
Repletando-nos no gozo da mais pura poesia...

E vagamos unidos pela imensidão do universo
Inebriados pelo despertar de sentimentos em profusão
De nossas almas até então expressos em meros sonetos,
Espirros poéticos sem o esmero da métrica e da rima
Que se perderam envolvidos pelo tempo inclemente...
E, de repente, vemos que no espargir de nossos versos
Nas metáforas que juntos construímos a quatro mãos,
Sem o saber compusemos o mais belo e dolente dueto
No transcorrer dessa vida, verdadeira obra prima,
Desejo que se perpetuará em nossa mente...
LHMignone
Enviado por LHMignone em 24/07/2019
Reeditado em 10/01/2020
Código do texto: T6703369
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