TREM DA POESIA

O trem de Bandeira

Passa apitando ligeiro a vida inteira

Café com pão café com pão café com pão

Passa devagar, bem devagarzinho

Vendo como a vida é besta

O trem de Drummond, o mineirinho

O trem dos Andrades

Passa, aos solavancos,

Entre piadas, estações e espantos

Passa pela memória e pelo mar

Levando sal, sonhos e lembranças

O trem de Cecília mais leve que o ar

O trem de Vinícius

É todo almofadas e carícias

Entre baladas, sonetos e delícias

Passa carregando nuvens e sol

O trem de Murilo

Deixando unidos pescador e anzol

O trem de Quintana

Canta, canta como passarinho

E vai abrindo gaiolas pelo caminho

É ainda um rabisco, um esboço

O trem de Cabral

Um dissecar de trilhos, um osso

O trem de Leminski

É a psicodelia das palavras

Caleidoscópio, moinhos e espadas

CAMPISTA CABRAL
Enviado por CAMPISTA CABRAL em 10/10/2019
Código do texto: T6766015
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