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A Flor do Marajó

Do seio do Marajó,
Lá do ventre da mata,
Numa tapera coberta de palha,
Muitas vezes entre a luz  do dia...
Procurando bolachas de água e sal na maré
E a fome, que quase tirou a vida da mulher
Veio Maria a cidade de Nazaré.
Não tinha muitas roupas,
Não tinha moda,
Não tinha o verbo, apenas trazia na bagagem lembranças da roça,
Um medo da cidade, a saudade de seus pais, irmãos e aquela vergonha calada.
Maria menina...tão franzina,
Trazia em sua essência a força da mulher,
Trazia em seu sangue a missigenação dos povos...
Espanhol, Negro, Portugues e Índio
Queria ser cantora, professora ou algo assim.
Logo de cara, perdeu a  sua infância...
Foi trabalhar numa casa,
Foi trabalhar numa casa...
Cortaram seus cabelos,
Emendaram suas roupas e
Lhe deram muito serviço...
Das seis a uma hora da madrugada Maria trabalhava;
Acordava as cinco da manhã e não tinha sossego.
Não brincava,
Não sorria e nem estudava...
Só chorava...
Trocada ou vendida por seus pais...
Só estava...Só rezava.
Compadecido Deus enviou Lourenço
Seu tio, que a tirou do covil, que a fez partir dessa senzala.
Quando cresceu trabalhava  de empregada na casa de seus parentes.
Foi rebelde,
Foi indigente...
Dormindo acordada, no meio da madrugada
Alguém passa as mãos molhadas na face da moça
Para acordar e trabalhar.
Maria trabalhava,
Maria trabalhava.
Maria Adulta, alimentava o sonho de estudar,
De ser alguém...
De ser a professora.
Fez o Paraense, fez projeto Minerva... Escola Normal.
Quando a família veio morar na ciadade,
Ela adulta retornou ao seio familiar...
Se havia felicidade,
Se havia sorrisos ninguém notou.
Sofria como todo o povo Brasileiro
Uma repressão, uma democracia de carteiros.
Nos tempops que se seguiram o mundo era feito de um certo
Velho pai, ex-carpinteiro a fazer alaridos na vila como doutor;
De uma certa velha mãe negra,ex-cantora a fazer escandalos na dor;
O tempo passou, Maria engravidou.
Maria foi despejada da casa por sua mãe, que nunca a agasalhou;
Maria chorou, mas ela não olhou para trás.
Seguir em frente, foi o lema que ela adotou.
Teve o seu filho bastardo, mas não se ajoelhou e trabalhou,
Mais tarde o seu velho pai pediu;
O seu irmão pediu e ela ao seio da família retornou.
Após uma profunda doença Maria, quase sem forças vivia, só que o seu filho ela não alimentou.
Estudou sempre com muita dificuldade, segurou as mãos do seu pai,
Que a morte o levou.
Cansada da carga pesada, pensando encontrar um esteio casou...
Não durou muito viu que o peso aumentou.
Encontrou forças nas entranhas e se separou,
Montou a sua casa a peso de sangue,
Lágrimas e muita dor;
Estudou, formou o seu único filho
E encainhou...
Quando o seu sonho de criança, enfim parecia surgir, em fardo se transformou, pois que o seu sacrificio aumentara,quando a sua mãe não mais andará,
Não mais falará, ela se formou em professora.
Quando enfim, seu filho se empregou...Foi embora.
O destino quis assim.
Outra vez veio a morte e pegou do seu colo a sua mãe negra.
Sozinha descia o cálvario da solidão,
Mas em seu coração...
O amor jamais morria.
Ela foi avó inúmeras vezes....
E cantava, e sorria e dançava
E porque não dizer vivia.
Hoje ela é alegria,
Hoje ela é a estrada,
A flor iluminada,
A luz no meio da madrugada...
É a mulher que venceu a fome, a saudade, a história e a idade.
Hoje ela é Maria.
Hoje ela é simplesmente família,
Hoje apesar da desigualdade das terras;
Apesar das ameaças de guerras...
Ela é a paz e o meu amor.

 

Alberto Amoêdo
Enviado por Alberto Amoêdo em 04/10/2007
Reeditado em 12/10/2007
Código do texto: T680716
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Alberto Amoêdo
Macapá - Amapá - Brasil, 51 anos
1352 textos (19264 leituras)
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Alberto Amoêdo