Até quando?

Até quando

o império dos pudores?

Até quando

o medo como sapato de chumbo?

Até quando

a possível crítica,

o eventual assédio

como camisas de força?

Até quando

a prevalência da opinião alheia

(muitas vezes,

uma formulação projetada)?...

Daqui a pouco,

o tempo passa e leva tudo:

leva os críticos,

leva os assediadores

leva, sobretudo,

a energia necessária

à realização das coisas.

Daqui a pouco

ficará apenas

o arrependimento renitente

como um cálice de cicuta

servido ao inconsciente...

E mais um pouco

não haverá tempo

não haverá inconsciente

não haverá corpo.

Antonio R Filho
Enviado por Antonio R Filho em 22/01/2020
Reeditado em 22/01/2020
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