Entrou em minha vida, covardemente, aproveitando-se da minha fragilidade.

Sequestrou meus sonhos, noite por noite e os aprisionou em cativeiro.

Contei cada volta do relógio e calculei o raio da circunferência, inúmeras vezes, em cárcere privado.

Ouvi cada badalo do sino da igreja que anunciava a trajetória do tempo, escoado em minutos, segundos, milésimos de segundo.

O coração acelerado como se as batidas fossem uma banda com som vibrante, as mãos trêmulas e frias, o pensamento sufocante trazendo à memória feridas não cicatrizadas,guardadas a sete chaves, por receio de me afogar em limites.

O medo de viver, o medo de morrer, o medo de sentir, o medo de me entregar ao medo. 

A angústia do tempo que ameaça a segurança, mesmo no resguardo das paredes de alvenaria e um teto branco gelo que ressalta o frio na alma.

O descontrole da solidão que corre pelo cativeiro sombrio, buscando uma ilusão pra amarrar o apego e construir uma ponte de travessia para a luz que parece distante, embora certa.

Era nítida a insônia, sem cortes.

Enfim, o sol nasceu.


 
Mônica Cordeiro
Enviado por Mônica Cordeiro em 20/05/2020
Reeditado em 22/05/2020
Código do texto: T6952847
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