AUTOCOMBUSTÃO

Do súbito sumiço foi-se desaparecendo

Evaporando do que o estava prendendo.

Fora-se o curso, as festas, os bares,

Desfizera-se dos livros e rascunhos

O opioide jogara aos ares,

As Letras rasgara à punhos,

O álcool bebera de um trago,

Dos amigos está afastado.

Amparado no desaparecimento

Resta o corpo nu e os astros

Que o iluminam por dentro,

Como vaga-lumes na escuridão:

Um a um se apagando em decepção,

Consumindo-se no silêncio;

Só resta o amor e do amor o próprio incêndio

Que o aguarda no mito da autocombustão!

Diego Duarte
Enviado por Diego Duarte em 18/06/2020
Reeditado em 18/06/2020
Código do texto: T6980993
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