Diferentes de mim

Eles entram,

Sentam-se,

Conversam,

Comem,

Bebem,

Fumam,

Sorriem.

De que tanto falam?

Por que falam tanto?

Por que gostam tanto de falar?

Eu amo o silêncio.

Eles comem,

Comem muito,

Comem muito bem,

De garfo e faca.

Há talheres para tudo,

Para o peixe,

Para a salada,

Para sopa,

Copo para água,

Copo para vinho,

Whisky,

Suco,

Cerveja,

Que chatice dos diabos.

Eu como de colher,

No sofá,

Na cama,

Ou mesmo sentado no chão.

Eles bebem,

Bebem muito,

Bebem muito bem.

Vinho francês,

Português,

Italiano,

Champanhe,

Whisky 12 anos ou mais,

Cachaça envelhecida no barril feito com a madeira da cruz de Jesus.

Eles fumam,

Fumam bastante,

Enche a casa,

O cheiro da fumaça,

O câncer é uma esperança.

Eles sorriem,

Sorriem muito,

Com suas bocas cheias de dentes,

Vão sorrindo,

Dão gargalhadas,

E mais gargalhadas;

Não param.

Qual o motivo de tanta graça?

E o som de suas risadas entram pelos meus ouvidos,

E me enchem o saco.

Sou obrigado a ouvir tudo em silêncio,

Logo eu que detesto tudo isso,

Toda essa pompa,

Essa vaidade,

Essa gente vazia,

Cheia de dinheiro,

Com suas roupas chiques,

Cheias de jóias,

E sapatos caros.

Ah, como eu padeço,

Gosto mesmo é de camiseta, calça jeans e do meu All Star.

Racso Santos
Enviado por Racso Santos em 10/07/2020
Código do texto: T7001838
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