KAMADEVA

Desde os sons mais incultos da natureza,

até a iluminação no leito de morte,

carrega aquele que caminha sobre a terra,

a chaga oculta que alimenta a guerra e a paz.

Um asco por tudo que obriga a travessia

de um oceano ou infinitas linhas do tempo.

Esse desprazer em sentir incompletude,

esse vômito estacionado no meio da garganta,

é a culpa pelo equívoco do que é belo,

e a crítica da razão em meio a porcos.

Ainda assim, é essa farpa sob a pele

o ocaso que perpetua toda semente.

As vezes mais nobre, como flor intocada,

à vezes traiçoeira, como a leitura de minhas palavras.

Até que não se ouça mais nada,

até que ao longe não se ouça mais a invocação marcial,

nem as crianças corrompidas ouçam histórias mágicas,

ainda haverá o arqueiro feito da ira de Deus,

plantando nos peitos o amargo dos homens incultos,

revirando a natureza em busca da inexistência.

EDUARDO PAIXÃO
Enviado por EDUARDO PAIXÃO em 12/10/2020
Código do texto: T7085729
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