PERDER

O dia é o dia: luz, o calor, trabalho.

A noite é a noite: o frio, descanso.

A alma é branca, intata, sentimento.

O corpo é vermelho, aberto, fragmento.

A estrada convida ao caminho,

Ao desviar do abismo,

Ao contornar os perigos,

Ao adormecer sem sonhos.

Não florescem os devaneios,

Não soam os acordes insuspeitos,

Não brilham as cores em magia,

Não rescendem os aromas perfeitos.

Aqui, no assento ante a porta,

Aqui, no estar tão medido,

Realiza-se o saber perdido:

A faca afiada que corta.

E tudo se abre,

Aquém ,em pura anestesia,

Vê-se ao longe, no fio do sabre,

Que tudo o mais é poesia.

Helena Helena
Enviado por Helena Helena em 25/11/2020
Reeditado em 02/10/2021
Código do texto: T7120695
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