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Máscara

Menina desatinada, não entende nada.
Não sabe da dor, não entende a alegria.
Não corre de pé no chão, não se lambuza comendo macarrão.
É contida, não dá risada, que dirá uma boa gargalhada.
Não canta, desafinada, no chuveiro de casa.
Não toma sorvete quando está gripada.
Não toca a campainha da casa da vizinha para depois sair correndo.
Não fica no sereno, namorando de madrugada.
Muito menos passa horas no telefone pendurada.
Pensa com atenção na saúde, é "alimentadamente" correta.
Não usa palavras erradas, nem inventa coisa qualquer.
Não fala igual tagarela. Não ri quando alguém cai.
Não mente em primeiro de abril nem nos outros dias do ano,
Nem manda alguém para o lugar errado.
Não sai do salto. Contida, educada, repriimida, aprisionada.
Não roda a baiana, não assiste novela mexicana.
Consegue assoviar e chupar cana.
Perfeita, maravilhosa. Pena que não vive, não é feliz,
Com seu modo de ser, pleno de verniz.
gelbatere
Enviado por gelbatere em 27/10/2007
Código do texto: T712851

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Sobre a autora
gelbatere
Uberlândia - Minas Gerais - Brasil, 53 anos
64 textos (1457 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 15/12/17 08:49)
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