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Vida de Caminhante



Quando eu andava no meio do mundo
Achava ruim quando o sol não dava descanso.
Pedia a Deus que uma árvore aparecesse
E eu pudesse me abrigar com minhas filhinhas.

A vida de uma caminhante é tecida com sol
E fome.
Eu chorava pelo caminho.
Sentia vontade de desmoronar quando olhava a carinha das minhas filhas,
Afligidas pelo calor, machucadas pela falta de um teto.
O mundo arrastava a gente estrada a fora.
Ninguém pode escapar do destino prometido pelos Encantados.

Então minha vida era arrumar os panos
E partir quando o dia se preparava para nascer.
Eu tinha esperança de criar raízes nos lugares que passava.
Mas meu destino era abrir passagens...
E seguir.
E eu segui.
Até que todos os caminhos me trouxeram para o Alto Alegre,
E eu morei no coração da Lavagem.
É aqui que termino meus dias.
Maria Toinha
Enviado por Maria Toinha em 14/01/2021
Código do texto: T7159557
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Maria Toinha
Trairi - Ceará - Brasil, 84 anos
6 textos (68 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/04/21 13:33)
Maria Toinha