CÁRCERE

Moro aqui neste chão,

Neste largo cargo de espera,

No contorno morno do conforto,

No convite mentiroso da atenção.

Ninguém, nada,coisa alguma

Acompanham o meu cantar,

Assim rouco, assim pouco,

Deito na tarde em bruma.

E não chove no que em mim move:

Plantas frágeis, raízes devoradoras,

Cores que brilham e se escondem,

A fé que em si se guarda até que,

Impotente, se prove.

Helena Helena
Enviado por Helena Helena em 23/03/2021
Reeditado em 26/09/2021
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