$ankofa

Não evitam que a gente sofra,

Magros, não é chá de alcachofra…

Levando esbregue sem abrigo.

Mas sei, nenhuma cama seria fofa,

Se o pescoço do teu sankofa…

Não virasse pro próprio umbigo.

Europa ou África? Ambíguo!

Em torno do próprio umbigo…

O seu mundinho gira, gira, gira.

Esse termo: "tamo junto!"

Semelhantemente ao "Ubuntu!"...

Nada mais é, que jargão e gíria.

Diz? Quem olha pra trás?, Traz…

Os ensinamentos ancestrais,

Como bons frutos dentro duma cesta.

Ideologia rasta já não resta,

Saldo da conta bancária na testa…

Como o número da besta!

Quase todos são goela!

"Zumbi", "Tereza de Benguela"...

Estão acomodados num bangalô.

Diferem muito de Nina, Bob e Fela,

Tigre-de-bengala, banguela...

Enquanto apanhamos feito bongô.

Sistema nos fode, e de voyeur,

Tão assistindo a tudo de pé…

Seus iguais caídos de joelhos.

Morre-se desnudo no Congo

Mas de smoking, vestidos longos…

Pretos, sobre o tapete vermelho.

Não evitam que a gente sofra,

Magros, não é chá de alcachofra…

Levando esbregue sem abrigo.

Mas sei, nenhuma cama seria fofa,

Se o pescoço do teu sankofa…

Não virasse para o próprio umbigo.

Mas traduzo o eco do quilombo,

A quizumba, o bumbo, o ribombo….

Dos nossos sacros atabaques.

Os lembro da chibata nos lombos,

Os pesar em ambos ombros….

Pra que você também não embasbaque

Pois, pra que serve esse páreo?

Essa reunião de preto bilionário?

Esqueceu? Ainda há preto mendigo.

Não é que seja errado ter conforto,

Mas um não tem nem onde cair morto…

O outro ostenta mansão e jazigo.

Chamas, chamas no Mississipi,

Enquanto isso Wakanda tem área vip…

Aqui fora, que o restante queime.

Facções, Bloods vs Crips,

Entenda, a vida não é um vídeo clipe...

Dedo do meio para Puff, Nick e Kanye.

O "Preto da casa" só quer aceitação,

O sucesso segundo o padrão…

De Donald Trump e George Soros.

Tem o mesmo sinhô escandinavo.

Ainda vive preso como um escravo…

Mas agora, à essa corrente de ouro.

Não evitam que a gente sofra,

Magros, não é chá de alcachofra…

Levando esbregue sem abrigo.

Mas sei, nenhuma cama seria fofa,

Se o pescoço do teu sankofa…

Não virasse para o próprio umbigo.