CICLO VICIOSO

De mim sou as fugas

na noite adormecida

em silêncios,

na fria ardência

do teu incêndio

fugaz,

feito fumaça

fuligem do vento,

sagaz.

Somos cinzas

de cremações,

de comoções,

e de começos.

De ti

sou as capturas,

as algemas,

de mãos atadas,

asas roubadas

das falenas.

Firulas do tempo,

das desventuras,

dos fonemas vazios,

das cartas rasgadas,

telefonemas erradios

arrependimentos tardios,

cartas coladas,

vozes resgatadas

em ligações

nas madrugadas.

De nós somos a tentativa

a única, última alternativa,

porque sem elas,

não somos tudo,

nós somos nada.

Leonardo do Eirado
Enviado por Leonardo do Eirado em 04/10/2021
Código do texto: T7356670
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