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A SUAVE HISTÓRIA DE DOIS ADOLESCENTES APAIXONADOS, QUE MUITO SE AMARAM E CONTINUARAM VIRGENS, POR ACHAREM QUE SE VIRAM NUS CEDO DEMAIS

nos vimos nus cedo demais!

ah, dengo,
ainda em vestes,
vê-me do céu do quarto, de mãos soltas,
com as roupas ainda manchadas de amor antigo,
enquanto as roupas, ainda manchadas daquele amor antigo,
te avisam
que me viste nu cedo demais

ah, dengo,
[desconstrangida]
sem ciúmes das nódoas nas calças quase amarrotadas,
sem a farsa dos batons a mancharem camisas,
nem a zanga pelas cuequinhas usadas
[largadas]
por sobre as cadeiras

pensas ter me visto nu cedo demais

ah, dengo,
ainda sem zonzices,
vê minhas mãos quietas em meio às tuas pernas,
a tapar-te apelos, ou qualquer possibilidade de pudor,
enquanto ainda houver probabilidade de pudor em teus apelos
prontos à inquietação,
ao tocar
na minha nudez sua demais

não,
não me tocaste nu cedo demais!...

chegada a hora
dos cucos dos teus peitos prontos e pontiagudos
[involuntários e desponteirados]
desmentirem que os canários cantam no acontecer da manhã,
e a negar
que me viste em um nu de adolescente

 

ah,dengo,
[nudez e toques vêm gradativamente]
à mostra
com as mesmas sem-vergonhices
das mulheres de dedos habitados nas páginas dos calendários
de um ano cedo

nada
[entre nós]
veio cedo demais

e
deixaste as tuas roupas voarem para longe do teu corpo
[em definitivo]
para que te esqueças
das cuequinhas usadas por sobre as cadeiras,
cheinhas de nódoas antigas

[amor não feito]

nus?
[não sim, não não]
jamais nos vimos nus cedo demais!

Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 15/11/2007
Código do texto: T737880
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho