SE O AMOR DESEMBESTA

Quando o amor desembesta,

feito ramalhete de folhas mortas,

feito pó que impregna o chão se nunca cansar;

A gente destempera, desidrata, desespera,

dá vontade de cortar a alma em picadinhos

dá vontade de chorar até o choro secar de vez.

É dor tirana, descabida, descarilhada,

que amotina o sentir, o querer, o pertencer,

enruga o sangue até virar pedra,

deixa o bonito triste de vez.

Então o amor inerte, acorda,

sacode seus guizos, seus mantras, seus deuses,

traz à vida cada grão banido sem pena,

ressuscita seus cânticos, folias e gingados,

revira do avesso cada gosto amargo, cada vão indigesto,

retoma seu posto viril e belo de antes,

pra nunca mais deixar de ser assim.

 

Oscar Silbiger
Enviado por Oscar Silbiger em 09/01/2022
Código do texto: T7425788
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