SOMBRAS DO QUE FOMOS NÓS

Tua silhueta vem

habitar-me

a meia-luz

da saudade,

à meia noite

e um quarto

destituído

do teu corpo.

Te aninhas,

vagarosa,

sob os lençóis,

tua sombra

vaporosa,

um dia

fomos nós,

hoje,

esgueira-se,

pavorosa,

em outros

sóis.

Tua penumbra

denuncia a opacidade

da ausência,

A presença

foi entregue

à escuridão

do esquecimento.

Não te vejo

senão um vulto

que partiu,

no escuro

um coração

obscuro,

entrevado,

na cegueira

dos olhos

mutilados

pelo

abandono.

Tua silhueta

veio habitar-me

das almas, no porão

e nem sequer

foi inquilina

da minha

incorrigível ilusão.

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Leonardo do Eirado
Enviado por Leonardo do Eirado em 04/04/2022
Código do texto: T7488195
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