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Senhora das alegrias,
Mãe dos sorrisos meus,
Permita-me em poesias
Decantar os dotes teus;
Louvando nas cantorias
A beleza de teus dias
Perante os olhos de Deus.
 
Hoje, os companheiros meus,
Minha sorte, bendirão
Ao cair dos lábios seus
Repentes de oblação.
Pra alegrar os olhos teus,
Gregos, troianos, judeus,
Aos teus pés se assentarão.
 
Pois sondei a fundação
De todo o universo
Pra pedir a tua mão
E, assim, ser submerso
No fogo de uma paixão,
Onde só sem coração
Se faz o caminho inverso.
 
Quero agora, no meu verso,
Lembrar-te do fundamento
Deste planeta disperso
Em misterioso momento.
Pois a origem do universo
Guarda um segredo imerso
Na planta do seu invento.
 
Desde o primeiro momento,
Deus sabia o que faria
Acima do firmamento.
Antes do primeiro dia,
Arquitetou, a contento,
A gloria de seu invento
E obrou com maestria.
 
Do nada, então, Ele cria
Um planeta colossal,
Cheio de encanto e magia,
Como a aurora boreal.
Criou o nascer do dia
E o luar que irradia
A imensidão do astral.
 
Numa tela genial,
Cria a biodiversidade
Em harmonia total,
Reinventando a trindade;
Junto ao reino mineral
Coexiste o vegetal
E o animal que lhe invade,
 
Pleno, em toda bondade,
Ele cultiva um jardim
Com toda variedade
De flora e fauna sem fim.
Cria, com boa vontade,
Um campo de liberdade,
Dourado feito o alecrim.
 
E com tanto zelo, assim,
Ele cria um obreiro
Pra cuidar do seu jardim
E alegrar o seu terreiro.
E foi com capricho, sim
Que criou Adão, por fim
Com Suas mãos de oleiro.
 
Desde o dia primeiro
Ao sexto Deus trabalhou
Construiu o mundo inteiro
E só depois descansou.
Dormiu, Deus, num bom sombreiro,
Feliz no seu travesseiro
Por todo bem que criou.
 
No Dia Oito, voltou
Pra olhar sua criação
E contemplando notou
A tristeza de Adão,
Que um suspiro soltou
Quando em seu peito esbarrou
Uma ponta de aflição.
 
Deus vendo sua solidão
Logo se compadeceu,
E cantando uma canção
De ninar adormeceu
O olhar triste de Adão
Que sonhou com a construção
Dum mundo que se ascendeu.
 
No Oitavo Dia nasceu
Algo que o mundo estima,
E que Adão aprendeu
A chamar de Obra Prima,
Pois seu peito estremeceu
Quando ele percebeu
A face que lhe sublima.
 
Sei que não existe rima
Que pinte a perfeita tela,
Repleta de baixo a cima,
Tão formosa quanto ela.
Dela nada se aproxima,
Nela o belo se anima
A dançar na passarela.
 
A mais soberba aquarela
Não consegue exprimir
Uma figura tão bela
Como Eva, ao surgir,
Na forma de uma donzela,
Deixando a tarde amarela
Sem brilho pra refletir.
 
Só Deus mesmo pra imprimir
Algo tão especial,
Deixando Adão a sorrir
Pleno, completo e total.
Mas Ele, olhando o porvir,
Deixou Eva se iludir
No Nono Dia do astral.
 
Dentro do reino animal,
Uma víbora existia,
Que do plano celestial
Acabou banida um dia.
E com um ódio infernal
Lhe mostrou o bem e o mal,
Pondo fim a sua alegria.
 
Mas o Senhor tudo via
E, mesmo muito irado,
Prometeu salvar um dia
Tudo que havia criado,
Pois o homem não sabia
Que com ele morreria
Este planeta encantado.
 
Desde que foi enganado
Que o homem se devia,
Fazendo tudo errado
Deixando Deus em agonia.
Sujeira pra todo o lado,
O riacho assoreado
E a videira vazia.
 
Hoje nem a poesia
Tem poder de desterrar
Um por cento da magia
Que Deus aprouver nos dar.
Mesmo assim a nostalgia
Me inspira a cantoria
Nesta noite de luar.
 
E porquê não celebrar
Os encantos da senhora,
Que tanto me faz pecar
Por este mundão afora?
Se és rainha do lar,
Dona do meu tropeçar,
Que meu peito teme e adora?
 
Beijo tuas mãos agora,
Oh, cigana feiticeira,
Como te beijei outrora
No Éden, musa faceira;
Pois a muito joguei fora
Toda mágoa, minha senhora,
Pra te amar a vida inteira.
 
Tua culpa, companheira,
É buscar o meu perdão
E viver a vida inteira
Com essa obrigação;
Minha culpa, feiticeira,
É insistir nesta besteira
De ser dono da razão.
 
Seja a tua aparição
A imagem mais querida,
Teu laço de perdição
As amarras de minha vida;
Pois desde os dias de Adão
Deus não fez brotar no chão
Outra obra tão polida.
 
Esqueça, pois a ferida,
Os abrolhos e espinhos,
E se achegue despida
Preu te cobrir de carinhos.
Pois tu és a preferida
Companheira de uma vida
Que encontrei pelos caminhos.
 
Sete violões de pinhos,
Colhidos em sete estações,
Serão sete passarinhos
Te cobrindo de canções;
Ébrio de amor, não de vinhos,
Colherei os teus beijinhos
Lembrando nossos verões.
 
Setenta e sete refrões
Hoje multiplicarei
Vezes sete corações
Pois que um dia achei,
Gotejando nos pendões,
O néctar dos perdões
Que com amor te doei.
 
É que, a pouco, me lembrei
De quando nos encontramos,
Das coisas que eu te falei,
Dos sonhos que nós sonhamos,
Do muito que eu te amei
E o tanto que eu penei
No dia em que separamos.
 
Errantes, outrora, andamos
Cultivando a solidão;
Só Deus sabe o que deixamos
Pela a minha ingratidão.
Mas, enfim, nos esbarramos,
Nossa história reatamos,
Na ceara do perdão.
 
Hoje um filho de Adão
Assume os pecados seus
E de joelhos no chão
Diante dos olhos teus.
Te defende, com razão,
Sentimento e coração,
Perante o trono de Deus.
 
Sejam os pecados meus,
Cor púrpura de carmesim,
A mancha dos vestidos teus
Feitos de puro cetim,
Pra que o plano de Deus,
Perante os filhinhos seus,
Tenha o mais nobre fim.
 
Pois que eu tenho pra mim
Que a Maior Santidade,
Passeando no jardim
Vendo a nossa liberdade,
Procurou agir assim
Pra poder provar por fim
O bem da paternidade.
 
Ou será mediocridade
Lembrá-la na poesia
A Palavra da Verdade
Que nos fala de Maria,
Que guardou a castidade
Pra ter a felicidade
De ser Mãe de Deus um dia?
 
Nasceu de Deus em Maria
O que veio coroar
De grandeza e honraria
A Obra Prima de olhar,
Quando Ele mesmo fazia,
Dentro de uma estrebaria,
Filha em Mãe se transformar.
 
Portanto, faço calar
Fundo no teu coração
Um mote pra se cantar
Empunhando um violão
Soprando em perfeita rima:
Tu, mulher, é a Obra Prima
De Deus, em seua criação.

...
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Seu Ribeiro
Enviado por Seu Ribeiro em 24/11/2007
Código do texto: T750550

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Sobre o autor
Seu Ribeiro
Santa Luzia - Minas Gerais - Brasil, 44 anos
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