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Ilê Aiyê – Nossa casa, a Terra

Ungido em sua suprema sabedoria
Olodumaré criou o Universo e a vida
E aos orixás, numa festa suntuosa ao entardecer
distribuiu as riquezas do mundo que acabava de nascer.

Dentre os convidados estava a casta Onilé
Filha mais tímida e recatada de Olodumaré
Que ao invés de ornar-se ricamente
Cobriu-se a virgem de terra simplesmente.

Diferente dela, a exuberante Yemanjá, ao chegar
Ornada de pérolas e vestida com a espuma do mar,
Ganhou do pai o oceano para estabelecer seu reino
De onde ouve os pedidos de todos e protege os marinheiros.

Oxossi vestido de ramos macios
Enfeitados com penas e peles de exóticos bichos
Demonstrou assim sua afinidade inata
Tornando-se daí em diante, senhor dos animais e das matas.

Mas do reinado de Oxossi o anfitrião onisciente
Excluiu todas as frescas folhas verdes
Entregando-as ao jovem Ossaim que ali entrava
Recoberto de folhas perfumadas.

Para Ogum combativo e valente
em sua couraça de aço reluzente,
entregou a resistência do Ferro e o poder da guerra,
tornando-o deles, senhor absoluto sobre a Terra.

A terna Oxum coberta de ouro da cabeça aos pés
e cabelos formados pela água verde e doce dos igarapés,
Recebeu domínio sobre o nobre metal,
Sobre cada rio e cada manancial.

Ao ver Oxumarê em esplendor
Trajando belíssima veste multicor
e deixando escapar das mãos frescas gotas de chuva,
entregou-lhe o arco-íris e a riqueza ao final de sua curva.

Para o tempestuoso casal Iansã e Xangô
O raio e o trovão respectivamente entregou
Pois ela, vestida de ventos e raios estava
E ele, trovões pelo corpo ribombava

Oxalá, vestido de branco algodão,
Foi presenteado com a força prímeva da criação
Passando a ter o controle absoluto
Sobre tudo o que é belo e puro

E desta forma o Criador
Olodumaré nosso Senhor
Foi distribuindo as riquezas do mundo aos Orixás
Conforme a roupa que escolheram para usar

E quando todos pensavam
que Olodumaré havia terminado
O Criador batendo no chão com seu cajado,
anunciou pedindo silêncio a todos que ali estavam:

A Senhora do planeta será aquela
que tem afinidade com o elemento fundamental,
a substancia preciosa da qual tiramos nosso sal.
Aquela que preserva a simplicidade da terra.

E tirando Onilé das sombras,
Apresentou aquela que seria
Para todo o sempre a partir daquele dia
Senhora do planeta Terra com todas as honras

Onilé a quem prestam reverência
Vivos e mortos com suas oferendas
É Ilê, sinônimo de planeta, de casa.

Também chamada de Aiyê
Que é o elemento terra, sem o qual não podemos viver
É para nós humanos, a jóia mais cara.


[inspirado no mito da Criação da tradição Yorubá]
Carmem L Marcos
Enviado por Carmem L Marcos em 28/11/2007
Reeditado em 06/02/2012
Código do texto: T755762
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Carmem L Marcos
São João da Boa Vista - São Paulo - Brasil
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Carmem L Marcos

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