Cinco sentidos sem sentido!

A beleza eternizada das estrelas,

ou as paletas de cores das flores

dão sentido à efabulação da cegueira

que me proíbe sentir o dom da visão.

Amo-te sem te ver!

Divina arte de conjeturar a voz melodiosa

desta ausência umbrosa e fria onde não

escuto o rouxinol que trina galanteador

Não ouve a melodia?

Amo-te sem te ouvir!

Respiro a alma das flores campestres

Incenso de perfume que me acaricia

em consolos na impossibilidade de sentir

o teu doce aroma…

Amo-te sem te cheirar!

Eu tenho fome e sede... Sequioso de ti!

Famintos meus desejos por teu beijo

secam deserticamente sem ti…

Amo-te sem te provar!

Macia …deve de ser a pele luzidia

meu leito em que me deito.

Sem ti não quero sentir outras carícias,

Tocar noutras insinuantes delícias…

Amo-te sem te sentir!

Foram teus olhos que decifrei

que pariram minha cegueira!!!

O grito de prazer total confunde-me

os sentidos...

E o fogo que ateou nos aromas em

Explosão carnal dissipa-me a razão!

O divino e eterno beijo de despedida

levou-me o tempo no amargo e fatal

sabor do cianeto...

No momento em que te vi nua,

Queimaram-se-me as digitais

para que nunca sinta saudade de te tocar!

Ficando sozinho na cinza em que ardi.

Sessenta e Nove Sugestões Poeticas
Enviado por Sessenta e Nove Sugestões Poeticas em 13/02/2023
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