Insano

Eu não vou mudar o meu poema

Para satisfazer os dilemas de A ou B.

Essa gente tacanha e pequena

Que sabe de tudo e que tudo vê

Não enxerga meu verdadeiro problema.

A voz que ecoa em minha cabeça

Tão incessante, não é a da loucura.

Embora ela sempre apareça,

Eu estarei são se numa noite escura

Uma desgraça qualquer aconteça.

Quantas visualizações você precisa ter

Para alimentar sua alma carente

Em quantos corações é preciso verter

Os likes de toda essa gente

Para fluírem o sangue do prazer.

Não preciso atravessar a Rio-Santos

Para chegar ao fim do mundo,

Se ele próprio, como outros tantos

Me solavancam a todo segundo

Na tentativa dos meus prantos.

Você desativou seu visto por último,

Mas esqueceu de se olhar no espelho.

Tem necessidade do seu algoritmo,

Do afago doce de um coração vermelho

Para amenizar a dor do seu íntimo.

Paulo Roberto Benedito
Enviado por Paulo Roberto Benedito em 27/07/2023
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