A CASA

® Lílian Maial

 

 

A casa guarda,

nas paredes mudas,

sensatas ouvintes,

contigüidade de dedos e línguas.

 

Os cantos têm donos,

quadros, marcas de pregos,

irregularidades, como rugas,

risos e lágrimas perfilando histórias.

 

As portas se movem,

escondem e protegem,

escancaram e entregam,

trancam.

 

As janelas cantam

dores e tristezas,

contam casos,

mostram coisas,

calam partidas.

 

O chão observa passos,

agonias das esperas.

 

O teto de refletir

luz,

planos,

ideias.

 

A casa sabe tudo

de todos.

 

Ela acolhe.

Ela escolhe.

 

 

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*IMAGEM: Casa onde viveu Machado de Assis de 1883 até o seu falecimento em 1908 (crédito: Arquivo Nacional. Fundo Correio da Manhã).