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O mais nada era


 O dia despediu-se da noite,

suavemente.

A tardinha enfeitou-se com fios de sol

e pôs-se à janela

vendo o horizonte que se diluía.

Um barco lento afastou-se

do cais de madeira,

 estremecendo a água.

No alto do céu, acordou a primeira estrela.

O dia suspirava

como flor que abrisse a vez primeira

e recebesse a abelha

zumbindo na misteriosa troca

de pólen e carícia.



A vida adormecia, redonda e pura.



Ontem já fora e o amanhã era

 dulcíssima promessa.



Lisboa, 21/12/2004

Maria Petronilho
Enviado por Maria Petronilho em 21/12/2004
Reeditado em 09/08/2006
Código do texto: T715
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Maria Petronilho
Almada - Setúbal - Portugal, 68 anos
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